Mapa de calor: o que os cliques da minha página me mostraram

Usei um mapa de calor para descobrir por que as pessoas clicavam no lugar errado da minha página. Veja o que descobri e como analisei os dados.

Você abre a página do seu material gratuito e está tudo lá. O título explica, o texto faz sentido, o botão existe. Mesmo assim, as visitas chegam e as inscrições não acompanham.

Aconteceu comigo na página do meu prompt de identidade visual. E o problema não estava no texto, nem no material, nem no formulário. Estava num lugar que eu não tinha como ver sozinha: no jeito como as pessoas usavam a página.

Foi um mapa de calor que me mostrou isso. E mostrou uma coisa que eu não teria percebido olhando a página como dona dela.


As pessoas clicavam. Só que no lugar errado

Instalei no site uma ferramenta chamada Hotjar, que permite analisar o comportamento das pessoas dentro de uma página: onde elas clicam, até onde rolam e onde param.

O primeiro relatório que abri foi o mapa de calor de cliques (também chamado de heatmap). Funciona assim: cada clique vira uma mancha colorida em cima da página, e onde tem mais cliques, a mancha fica mais forte.

As manchas estavam em cima dos cards de instrução. “Copie o prompt”, “Receba o brand book”. Texto explicativo. Não era botão, não era link. A pessoa clicava e nada acontecia.

Os cliques estavam no texto de instrução, não no botão.

As gravações de sessão completaram a história. Dava pra ver o cursor passeando pela página, clicando na instrução, esperando, e depois a pessoa fechando a aba.


O botão estava lá. Quase ninguém chegava nele

O segundo relatório explicou o motivo. É o mapa de rolagem que mostra até onde as pessoas descem na página.

Nele aparece uma linha que indica a dobra média, ou seja, aproximadamente até onde as pessoas conseguem ver a página sem precisar rolar. Tudo o que fica acima dessa linha, quase todo mundo vê. Abaixo dela, cada vez menos gente.

A linha branca marca a dobra média. O botão ficava bem abaixo dela.

Na minha página, a dobra média ficava logo depois do título da seção de instruções. O botão ficava lá embaixo, depois dos quatro passos. E o texto do primeiro passo dizia “clique no botão abaixo”.

Na prática, a pessoa lia a instrução, procurava o botão, não encontrava na tela e clicava no que parecia mais próximo de uma ação. Que era a própria instrução.

É como uma loja com a entrada nos fundos e uma placa na calçada dizendo “entre pela porta abaixo”. Quem conhece a loja sabe o caminho. Quem passa pela primeira vez tenta empurrar a vitrine.


Por que você não enxerga isso na sua própria página

Você conhece a sua página de cor. Sabe onde está o botão porque foi você que colocou ali. Quando olha, seu olho vai direto nele.

Você sabe o que cada parte da página faz. Quem visita precisa adivinhar.

Pedir opinião pra amigas também ajuda pouco. Elas olham a página sabendo que é sua, com atenção, e te contam o que acham. Quem visita de verdade chega com pressa, muitas vezes pelo celular, e desiste na primeira dúvida.

O que as pessoas dizem sobre a sua página e o que elas fazem nela são duas informações diferentes. O mapa de calor mostra a segunda.


O que eu mudei (e o que apareceu depois)

Eu estava refazendo a identidade visual do site e da minha marca, então aproveitei pra refazer a página inteira com o que o mapa tinha mostrado.

O botão “Copiar prompt” subiu pra primeira coisa que a pessoa vê, junto com um trecho do próprio prompt. Os passos de instrução ficaram deliberadamente planos, sem sombra e sem borda de card, pra não parecerem clicáveis. E o texto do primeiro passo passou a dizer “use o botão acima”, apontando pra algo que a pessoa já viu.

No mapa de cliques da página nova, as manchas estão em cima do botão.

Agora os cliques estão no botão.

Mas apareceu outra coisa: um ponto forte de clique em cima da caixa com o trecho do prompt. As pessoas estão clicando no texto achando que ele abre ou copia. Esse é o próximo ajuste.

→  Como usar IA para criar uma identidade visual (sem começar do zero)

Foi aí que entendi o mapa de calor de outro jeito. Ele não conserta a página uma vez. Ele vira um hábito: conferir o que as pessoas fazem, ajustar e conferir de novo.


Como instalar o Hotjar no seu site

Hoje o Hotjar faz parte da Contentsquare e dá pra começar sem pagar. Os limites e o que entra em cada plano mudam de tempos em tempos, então confira na página de preços se o mapa de cliques, o mapa de rolagem e as gravações de sessão (os três relatórios que usei aqui) estão no plano que você vai usar.

Se o seu site é WordPress, a instalação leva uns dez minutos:

  1. Crie uma conta no Hotjar e cadastre o endereço do seu site.
  2. No painel do WordPress, vá em Plugins, depois Adicionar novo, procure por “Hotjar” e instale o plugin oficial. Depois clique em Ativar.
  3. No Hotjar, copie o Site ID do seu site. É a sequência de números que aparece ao lado do endereço.
  4. No WordPress, vá em Configurações, depois em Hotjar, cole o Site ID e salve.
  5. Volte ao Hotjar e confira se a instalação foi reconhecida.

Se o seu site está em outra plataforma, o caminho é parecido: o Hotjar gera um código, e quase toda plataforma tem um campo pra colar código no cabeçalho do site.

Um cuidado: as gravações escondem por padrão o que a pessoa digita nos campos de formulário, então você não vê email nem nome de ninguém. Mesmo assim, vale mencionar na sua política de privacidade que o site usa esse tipo de ferramenta.

Nas gravações, o que a pessoa digita aparece escondido e a linha vermelha mostra por onde o ponteiro do mouse passou.

O que olhar em um mapa de calor

Não tente analisar o site inteiro. Escolha a página que mais importa, geralmente a página de captura do seu material gratuito ou a de contato, e espere juntar algumas dezenas de visitas antes de tirar conclusão. Com pouca gente, uma pessoa distraída parece um padrão.

Depois, olhe com três perguntas:

  1. Onde as pessoas clicam em algo que não é link nem botão? Esses cliques mostram o que parece clicável pra quem visita, mesmo que você não tenha planejado assim.
  2. Até onde elas rolam antes de abandonar a página? Compare com a posição do seu botão. Se ele está abaixo da dobra média, boa parte das pessoas nunca chega a vê-lo.
  3. Nas gravações de quem saiu sem se inscrever, o que a pessoa procurou antes de ir embora? O mapa resume o comportamento de todo mundo. A gravação mostra o caminho de uma pessoa, e muitas vezes é ali que o problema fica óbvio.

Na minha página, as três respostas apontavam pro mesmo lugar.


O que o Instagram nunca vai te mostrar

No Instagram você vê curtidas, comentários e alcance. Não vê a pessoa procurando o botão, hesitando ou clicando no lugar errado. E mesmo que visse, não poderia mudar o botão de lugar, porque o layout não é seu.

No seu site, você vê o que aconteceu hoje e pode mudar amanhã. Essa é uma das diferenças mais concretas entre ter um endereço próprio e alugar espaço na plataforma de alguém.

Nem todo problema de inscrição se resolve com mais visitas. Às vezes a pessoa já chegou. Só não achou a porta.

A página que usei de exemplo é a do Prompt de Identidade Visual. Você responde dez perguntas sobre o seu projeto, cola no Claude e recebe um brand book com logotipo, paleta e tipografia. É gratuito e está aqui agora, com o botão no lugar certo.

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